Começo a perceber que há um tema persistente na minha fotografia. Normalmente, os lugares onde levo a câmara têm flores; e, seja qual for o propósito principal de eu ter ido a tal lugar, dificilmente conseguirei ir-me embora sem ter imagens daquelas flores no meu cartão SD.
Estas fotos foram tiradas na Hungria. Talvez se perceba que estava a anoitecer; no momento não achei que fosse ideal, mas, agora, não alteraria esta luz por nada. Tentei tirar partido dela, e acho que consegui encontrar e transmitir algum sentimento. O que exala nestas fotos é um misto da mais perfeita beleza com a mais profunda tristeza – essa é a essência efémera das flores, que não vivem sem murchar, e dos dias, que não passam sem anoitecer.
Algumas destas estavam à beira do rio Tisza, outras à beira da estrada. Aquilo que nunca muda é o facto de que, ao avistar uma flor, entro numa “zona” da qual só saio quando há o risco de me perder. De me perder, isto é, geograficamente; porque em sonho e por flores já perdida ando eu.







